domingo, 21 de novembro de 2010

Acordo garante medidas para preservação da Fazenda Registro Velho em Barbacena

O imóvel data do início do século XVIII e é tombado nos níveis federal e municipal

Na manhã de hoje, 18 de novembro, foi realizada na sede da Promotoria de  Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural de Barbacena reunião com os proprietários da Fazenda Registro Velho, representantes do Município e da Fundação Municipal de Cultura de Barbacena, bem como do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), com o objetivo de se alcançar a adoção de medidas emergenciais para garantir a integridade estrutural da construção da FAzenda, que data do início do século XVIII e é tombada nos níveis federal e municipal, constituindo-se em uma dos mais importantes construções históricas do Estado.

Na reunião, convocada pelos Ministérios Públicos Estadual e Federal, o Município de Barbacena e a Fundação Cultural de Belo Horizonte (Fundac) comprometeram-se a executar, em 30 dias, o escoramento e lonamento da edificação, bem como todas as demais providências para se evitar a ruína do bem.

O Escritório Técnico do Iphan de São João Del Rei e o Setor Técnico do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) orientarão e acompanharão a execução das medidas.

Na ocasião, a prefeita Danuza Bias Fortes informou que há interesse da municipalidade em receber o imóvel como doação, conforme sinalizado pelos proprietários, desde que atendida a legislação vigente.  O assunto foi encaminhado ao setor jurídico do Município para análise.

Os Ministérios Públicos Estadual e Federal acompanharão o cumprimento das obrigações e adotarão as demais medidas cabíveis para viabilizar o posterior restauro do imóvel.

Participaram da reunião a promotora de Justiça Elissa Maria do Carmo Lourenço Xavier; o coordenador da  Promotoria Estadual de Defesa do  Patrimônio Cultural, Marcos Paulo de Souza Miranda; o procurador da República Antônio Arthur Barros Mendes; a prefeita de Barbacena, Danuza Bias Fortes; a procuradora do Município, Luciana Araújo de Paiva Melo, a presidente do Compha de Barbacena, Eliane Resende Ribas, o secretário do Compha Sérgio Luiz Barreto Cardoso Ayres, o chefe do escritório técnico do Iphan, Mário Antônio Ferrari Felisberto, o advogado Alex Guedes dos Anjos, José Cordeiro Coutro, a arquiteta urbanista do MPMG, Andréa Lanna Mendes Novais e o presidente da Fundac, Leonardo Castro de Carvalho.


Assessoria de Comunicação Social do Ministério Público de Minas Gerais - Núcleo de Imprensa. Tel: (31) 3330-8166/8016       18.10.2010       (Patrimônio Cultural/ Barbacena - acordo Fazenda Registro Velho) MAT

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Leopoldina é citada em filme de Alfred Hitchcock - Notorious (1946)



A dica veio da amiga Renata Arantes, depois de um comentário feito por outra amiga, se não me engano a Glória Barroso. Eu tive que conferir, e não é que é verdade? Acontece no filme Notorious, que no Brasil recebeu o título de Interlúdio. Trata-se de um filme de 1946, que recebeu duas indicações ao Oscar, e que foi dirigido por Alfred Hitchcock, tendo no elenco ninguém menos que Ingrid Bergman e Cary Grant.

A cena acontece quase no final do filme (aproximadamente 01:27), em um diálogo entre Alice (Ingrid Bergman) e um amigo. Segue o diálogo:

- O que a Alicia precisa é de descanso, não de montanhismo.

- Já ouvi falar das montanhas.

- Já? Sério?

- Sim. Sobre as lindas cidadezinhas locais. Diga-me, vai para Leopoldina?

Eu não pude evitar, fiquei arrepiada quando assisti à cena!

Leia a sinopse do filme:

Após seu pai alemão ser condenado como espião, uma jovem mulher (Ingrid Bergman) passa a se refugiar em bebida e homens. É assim que se aproxima de um agente do governo (Cary Grant), que pergunta se ela concorda em ser uma espiã americana no Rio de Janeiro, onde nazistas amigos do pai dela estão operando. Ela acaba se casando com um espião nazista, mas se apaixona pelo seu contato no governo americano.

Título no Brasil: Interlúdio
Título Original: Notorious
País de Origem: EUA
Gênero: Suspense
Ano de Lançamento: 1946
Direção: Alfred Hitchcock

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Professor se demite em protesto contra sigilo


Historiador deixa Memórias Reveladas e denuncia que acesso a papéis da ditadura foi vetado no período eleitoral

O Centro de Referências das Lutas Políticas no Brasil (ou projeto Memórias Reveladas), criado pelo governo federal para reunir e divulgar os documentos secretos do regime militar, está desfalcado desde ontem.

Em carta entregue ao coordenadorgeral da entidade, Jaime Antunes da Silva, o historiador Carlos Fico, da UFRJ, anunciou a sua renúncia. A decisão, segundo ele, foi tomada depois que o Arquivo Nacional passou a negar aos pesquisadores acesso aos acervos da ditadura “sob a alegação de que jornalistas estariam fazendo uso indevido da documentação, buscando dados de candidatos envolvidos na campanha eleitoral”.

O historiador, que era presidente substituto da Comissão de Altos Estudos do Memórias Reveladas, foi alertado sobre a proibição por uma aluna de doutorado, que tentara sem sucesso acessar um destes acervos. Para confirmar, ele próprio protocolou um pedido de acesso e também recebeu uma resposta negativa sob a mesma alegação: — O funcionário do Arquivo Nacional pediu que eu esperasse até sexta-feira (último dia da campanha eleitoral).

A negativa foi a gota d’água na insatisfação de Fico com os constrangimentos que unidades do sistema nacional de arquivos, incluindo o Arquivo Nacional, estariam criando para o acesso à documentação do ciclo militar (1964-85).

Os gestores dos arquivos, sustenta o historiador, demonstram receio de abrir os acervos e correr o risco de responderem judicialmente por ferir, com o mau uso dos papéis, o direito à privacidade, à imagem e à honradez.

Ditadura brasileira foi a que mais produziu documentos Na carta de demissão, Fico lamentou que, “não obstante o Brasil possua um grande acervo documental sobre a ditadura já transferido para o Arquivo Nacional e arquivos estaduais — em tese disponível à consulta pública — sua pesquisa, muitas vezes, tem sido bastante dificultada”.

A documentação bloqueada nas últimas semanas, por causa da campanha eleitoral, integra os acervos do antigo Conselho de Segurança Nacional e da Divisão de Segurança e Informações do Ministério das Relações Exteriores.

Fico alega que “não podem os arquivos brasileiros arvoraremse em intérpretes do direito à privacidade e arbitrarem — conforme as idiossincrasias do funcionário ocasionalmente situado na posição de decidir — se este ou aquele documento agride a honra ou a imagem de alguém”.

Das ditaduras latino-americanas, a brasileira foi a que mais produziu documentos, segundo o historiador. Ele disse que, enquanto a repressão argentina praticamente não deixou registros documentais, os “arquivos do terror” paraguaios estão totalmente abertos à consulta.

Fico sustenta que, na questão da privacidade, as autoridades não podem entender o conteúdo dos documentos do regime militar como testemunhos da verdade, mas apenas um registro histórico do arbítrio da época.

“Tampouco pode perdurar o entendimento improcedente que insiste em tratar de ‘sigiloso’ o documento já desclassificado pela lei”, escreveu. Os pesquisadores estariam impedidos, inclusive, de manusear os instrumentos de pesquisa, que não são papéis históricos, mas as listas de conteúdo dos acervos.

Caso parecido ocorreu em agosto no Superior Tribunal Militar. O processo que levou a presidente eleita, Dilma Rousseff, à prisão na ditadura foi retirado dos arquivos e trancado num armário por ordem do presidente do órgão, Carlos Alberto Marques Soares.

Fico disse que, em recente seminário promovido pelo Memórias Reveladas, foi decidido que os demais arquivos seguiriam a experiência do Arquivo Estadual de São Paulo, que libera toda a papelada, exigindo apenas que o solicitante assine termo de responsabilidade.

Mas, segundo ele, nada foi feito até agora. O presidente do Memórias Reveladas, Jaime Antunes (também presidente do Arquivo Nacional), não foi localizado para comentar a demissão.

O Memória Reveladas

O objetivo do Centro de Referência Memórias Reveladas, criado em 13 de maio de 2009 pela então ministrachefe da Casa Civil da Presidência, Dilma Rousseff, é “tornar-se um polo difusor de informações” contidas nos documentos sobre as lutas políticas no país nas décadas de 1960 a 1980. De acordo com o site da entidade, o centro gerencia fontes primárias e secundárias colocadas à disposição do público, incentivando estudos, pesquisas e reflexões sobre o período.

No texto de lançamento, a então ministra disse que “a memória é um bem público que está na base do processo de construção da identidade social, política e cultural de um país”. Segundo ela, “isto significa que a memória é fundamental para a construção da verdade sobre os acontecimentos históricos”.

Essa iniciativa teve como resultado, até o mês de abril deste ano, a doação de aproximadamente 200 mil páginas de documentos textuais sobre o período, além de livros e documentos audiovisuais.

A Comissão de Altos Estudos do Centro, da qual Carlos Fico (que pediu demissão ontem) era presidente substituto, foi instituída para construir e lançar um grande portal para oferecer ao público o acesso on-line ao acervo


OBS.: Fonte: Mensagem postada no e-grupo HISTORIADOBRASIL@yahoogrupos.com.br, citando fonte como Arquivos: historiador se demite em protesto (O Globo, 03/11/2010)